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Find the evidence · Report 002 Ensaio Clínico Randomizado · Cardiologia

Rivaroxabana versus antagonista da vitamina K em fibrilação atrial associada à doença cardíaca reumática

INVICTUS Connolly SJ, Karthikeyan G, Ntsekhe M, et al. N Engl J Med 2022;387:978–88 DOI: 10.1056/NEJMoa2209051

4.531 pacientes randomizados 1:1 — 2.275 rivaroxabana · 2.256 antagonista da vitamina k.Seguimento médio de 3,1 anos em 138 sítios da África, Ásia e América Latina.

P · População
Adultos ≥18 anos com fibrilação atrial e doença cardíaca reumática confirmada por ecocardiograma Pelo menos um critério adicional: escore CHA₂DS₂-VASc ≥ 2, estenose mitral ≤ 2 cm², trombo ou contraste espontâneo no átrio esquerdo
I · Intervenção
Rivaroxabana por via oral 20 mg/dia (15 mg/dia se clearance de creatinina < 50 mL/min)
C · Comparador
Antagonista da vitamina K Varfarina ou acenocumarol, dose ajustada para INR entre 2,0 e 3,0
O · Desfechos
Composto de AVC, embolia sistêmica, infarto do miocárdio ou morte vascular (primário) Sangramento maior (secundário)

Desfecho primário · AVC, embolia, infarto ou morte vascular

PIOR COM INTERVENÇÃO
Tabela 2×2
Evento Sem evento Total
Rivaroxabana 560 24,6% 1.715 2.275
Antag. vit. K 446 19,8% 1.810 2.256
Risco Relativo
1,25
IC 95%: 1,10 – 1,41
Razão de Chances
1,33
 
Hazard Ratio
1,25
IC 95%: 1,10 – 1,41
Diferença Absoluta de Risco
+4,8 pp
 
Aumento Relativo de Risco
24,5%
P = < 0,001
Número Necessário
para Causar Dano
21
A cada 21 pacientes tratados com rivaroxabana em vez de antag. vit. k, 1 a mais sofrerá o desfecho.
Componentes do desfecho composto
Mortalidade total
Diferença Absoluta de Risco +4,7 pp Hazard Ratio 1,23 (1,09 – 1,40) · 1 dano extra a cada 22
Morte cardíaca súbita
Diferença Absoluta de Risco +2,0 pp Hazard Ratio 1,51 (1,16 – 1,96) · 1 dano extra a cada 50
Morte por falência mecânica/bomba
Diferença Absoluta de Risco +2,7 pp Hazard Ratio 1,35 (1,11 – 1,64) · 1 dano extra a cada 38
AVC isquêmico
Diferença Absoluta de Risco +1,2 pp Hazard Ratio 1,53 (1,06 – 2,20) · 1 dano extra a cada 84

Desfecho de segurança · Sangramento maior

SEM DIFERENÇA
Tabela 2×2
Sangramento Sem evento Total
Rivaroxabana 40 1,8% 2.225 2.265
Antag. vit. K 56 2,5% 2.195 2.251
Risco Relativo
0,71
 
Razão de Chances
0,70
 
Hazard Ratio
0,76
IC 95%: 0,51 – 1,15
Diferença Absoluta de Risco
−0,7 pp
 
Redução Relativo de Risco
29,0%
P = 0.18
A diferença não atinge significância estatística. O Número Necessário para Tratar não é calculável quando o IC 95% da diferença absoluta de risco cruza o zero.
Número Necessário
para Tratar
143
A cada 143 pacientes tratados com rivaroxabana em vez de antag. vit. k, 1 a menos sofrerá o desfecho.
Em fibrilação atrial associada à doença cardíaca reumática, a rivaroxabana
é inferior à varfarina: aumenta mortalidade total, morte vascular e AVC
isquêmico, sem reduzir sangramento maior. Achado
contraintuitivo — diferente do que ocorre na fibrilação atrial não-valvar.
As diretrizes que recomendam antagonista da vitamina K nesse cenário saem
reforçadas, ainda que o controle de INR seja logisticamente desafiador em
países de baixa e média renda, onde a doença reumática é mais prevalente.

Desfecho primário · AVC, embolia, infarto ou morte vascular

PIOR COM INTERVENÇÃO
Rivaroxabana
24,6% 560/2.275
Antag. vit. K
19,8% 446/2.256
0%20%39%

Desfecho de segurança · Sangramento maior

SEM DIFERENÇA
Rivaroxabana
1,8% 40/2.265
Antag. vit. K
2,5% 56/2.251
0%2%4%
Hazard Ratio e IC 95% (escala log)
0,5012 ← favorece intervenção favorece comparador → AVC, embolia, infarto ou morte vascular1,25 (1,10 – 1,41)↳ Mortalidade total1,23 (1,09 – 1,40)↳ Morte cardíaca súbita1,51 (1,16 – 1,96)↳ Morte por falência mecânica/bomba1,35 (1,11 – 1,64)↳ AVC isquêmico1,53 (1,06 – 2,20)Sangramento maior0,76 (0,51 – 1,15)
Em fibrilação atrial associada à doença cardíaca reumática, a rivaroxabana
é inferior à varfarina: aumenta mortalidade total, morte vascular e AVC
isquêmico, sem reduzir sangramento maior. Achado
contraintuitivo — diferente do que ocorre na fibrilação atrial não-valvar.
As diretrizes que recomendam antagonista da vitamina K nesse cenário saem
reforçadas, ainda que o controle de INR seja logisticamente desafiador em
países de baixa e média renda, onde a doença reumática é mais prevalente.

O que este estudo mostra

  • Em fibrilação atrial reumática, a rivaroxabana aumenta a mortalidade em comparação com o antagonista da vitamina K.
  • O dano é contraintuitivo — em fibrilação atrial não-valvar, anticoagulantes diretos como rivaroxabana são pelo menos tão eficazes quanto a varfarina.
  • A rivaroxabana não reduziu sangramento maior nesta população — perdeu sua vantagem clássica de segurança.
  • Diretrizes que recomendam antagonista da vitamina K em doença reumática saem reforçadas, apesar do controle de INR ser logisticamente desafiador.

Se 100 pacientes forem tratados com cada opção…

Desfecho: AVC, embolia, infarto ou morte vascular

Rivaroxabana

100 pacientes tratados
25 terão evento
20 esperados
+5 atribuíveis
75 sem evento

Antag. vit. K

100 pacientes tratados
20 terão evento
20 eventos
80 sem evento
Número Necessário
para Causar Dano
21
Cada 21 pacientes tratados com rivaroxabana em vez de antag. vit. k gera 1 evento extra. Risco Relativo 1,25 (1,1 – 1,41) Hazard Ratio 1,25 (1,1 – 1,41) · Diferença Absoluta +4,8 pp

Componentes do desfecho composto

Mortalidade total
1 a cada 22 +4,7 pp
Morte cardíaca súbita
1 a cada 50 +2,0 pp
Morte por falência mecânica/bomba
1 a cada 38 +2,7 pp
AVC isquêmico
1 a cada 84 +1,2 pp

Sangramento maior · sem diferença

Não houve diferença significativa entre os grupos.

Rivaroxabana

2 eventos em 100 pacientes

Antag. vit. K

2 eventos em 100 pacientes
Diferença absoluta −0,7 pp ; P = 0.18.